Se você esta em busca de seu mais novo smartphone ou tablet, são grandes as chances de você ter uma idéia na cabeça: tem que ser Quad-Core. Então eu te faço a pergunta: tem mesmo? É realmente a melhor solução em processamento? Alguns comerciais e artigos da internet exaltam certos produtos por serem Quad-Core (ou até mais, as vezes!), mas nenhum te fala realmente como funciona, se é a melhor opção ou se você precisa disso.

Portanto, vamos começar do básico para entender um processador, como ele funciona e do que ele depende. Tentarei novamente colocar de uma forma de fácil entendimento, porém, infelizmente algumas partes terão algo mais técnico, principalmente termos, então prestem bem atenção para não haver confusão!

Os processadores Quad-Core ficaram famosos com os lançamentos de aparelhos Top de linha. Conhecidos por terem ótimo desempenho, menos travamentos e confiabilidade. Claro que um dia chegariam na classe mais barata e simples de aparelhos, mas como em tecnologia não há milagre, tudo tem seu preço.

Imagine que o processador do aparelho é como nossa cabeça, pronto, já sabemos que a função dele é comandar todo o resto da história. Só que no caso do processador, é como se ele pudesse ter vários cérebros dentro de uma só, que são os chamados núcleos. O termo vem do inglês, onde “core” significa núcleo e Quad, Dual e etc, são o número de núcleos que ele vai ter, ou seja, o processador sendo Quad-Core, terá quatro núcleos, quatro cérebros.

Poxa, que legal você deve pensar, quanto mais cores (núcleos) melhor! E é ai que se engana, nem sempre ter vários núcleos é a solução, afinal, fazendo a analogia com o ser humano novamente, não adianta ter um cérebro grande se ele não for bem ensinado ao longo de sua “construção”.

Entendido sua estrutura básica, vamos explicar sua construção. Para isso, vamos voltar à nossa cabeça. Temos uma ótima, grande e potente. Mas no desenvolvimento dela, na construção, não fazemos da melhor maneira. Não a colocamos pra estudar, para aprender e, quando fica pronta, não adiantou de nada ela ser grande. Quase o mesmo acontece com os processadores e seus núcleos. Se não escolhermos bons métodos de fabricação e tecnologia de ponta, teremos um processador que apenas se apresenta como bom, mas não é.

Quando um fabricante vai escolher seu processador, ele tem entre diversos modelos diferentes para seguir e, dentre as opções, tem a de arquitetura dos núcleos. Essa arquitetura representa a forma como esses núcleos foram construídos, qual a tecnologia empregada neles. As mais usadas ultimamente no meio mobile são as ARM e Krait. A ARM é uma das mais utilizadas pelos dos fabricantes, junto da família Cortex-A, que tem numeração de 5 a 15 (onde 5 é o menos potente e o 15 mais). A Krait seria uma evolução da ARM, criada e utilizada pela fabricante Qualcomm, tendo, segundo eles, até 60% mais potência que os ARM. A potencia é medida em Gigahertz, ou na abreviação Ghz, e quanto mais alto, mais potente.

As tecnologias a serem usadas sempre serão recentes. É raro o caso de algum fabricante usar algo muito antigo nesse meio, justamente pelo fato da rápida evolução. Porém, ele pode usar núcleos menos potentes, como o Cortex-A5, construídos para de fato serem assim (e economizar energia), mais baratos de construir ou comprar. Como a moda “Quad- Core” esta à sua porta (e quem não segue ela acaba perdendo venda) ele monta um processador com quatro núcleos menos potentes e vende como um aparelho Quad-Core com desempenho excepcional. O cliente compra, depois de um tempo se frustra e ainda joga a culpa no sistema operacional.

Um bom exemplo é quando as marcas tem um produto já bem estabelecido no mercado, mas que precisa dar um “up” no mesmo. Ela muda uma coisa ou outra, dentre elas o processador, passando o produto de um Dual-Core de 1.2Ghz para um Quad-Core de 1.2Ghz. Na teoria, teríamos o dobro de potencia pelos dois núcleos extras que ganhamos. Na teoria, porque na prática os dois tem desempenhos bem similares, sendo que em alguns casos de uso, o Dual-Core apresenta melhor desempenho, justamente pelos núcleos dele apresentarem uma arquitetura mais potente, sendo Cortex-A9, ante Cortex-A7 do Quad-Core.

Para quem entende mais de carro do que de smartphones, é só pensar em um motor 1.6 novo e um 2.0 antigo. O 1.6 consegue gerar a mesma potencia que o 2.0 antigo, ocupando menos espaço e gastando menos combustível. Tudo isso devido às novas tecnologias empregadas e a evolução das mesmas. Então não é porque temos mais núcleos que teremos necessariamente mais potencia.

Veja bem que não estou criticando processadores quad-core de baixo desempenho, nem dizendo que são ruins. Estou criticando sim, o oportunismo de algumas marcas e dizendo que eles devem ser vendidos com a finalidade correta, que não é a de ter alto desempenho.

Então você me pergunta: mas nossa, como vou saber disso tudo antes de comprar?! Eu respondo: faça uma pesquisa rápida em alguns sites especializados sobre o aparelho que esta pensando em comprar. O famoso GSMArena (site americano) por exemplo, costuma citar bastante a estrutura de todo o aparelho, não só de processadores. Ou se preferir, pergunte a nós do Mobile Extreme, deixe seu comentário aqui, tão logo responderemos com a melhor informação possível para uma boa compra.