Os videogames são hoje, uma parte integrante da cultura pop mundial, um tipo de entretenimento que, apesar de não ser apreciado por todos, é conhecido por todos mais do que nunca em sua curta história. O caminho que levou a indústria até onde ela se encontra hoje foi deveras tortuoso, cheio de polêmicas, controvérsias e tudo que uma boa mídia precisa enfrentar para se estabelecer (vide a história dos quadrinhos e do cinema). Porém, é notável a velocidade com que os games se tornaram uma indústria multimilionária que movimentou só em 2013, em torno de $76 bilhões de dólares no mundo todo e em 2008, estimava-se que seu valor se encontrava entre $30 a $40 bilhões de dólares (estimativa conservadora). A título de comparação, a indústria de filmes valia $27 bilhões no mesmo ano.

Atualmente essa é a indústria líder no ramo do entretenimento, e considerando o pouco tempo de existência da mídia, o crescimento é avassalador e tende a crescer ainda mais, com ou sem crise econômica mundial. Há muito que se discutir sobre os motivos de tal crescimento, mas o objetivo deste artigo é analisar algumas tendências recentes da indústria, onde ela se encontra e para onde ela caminha. Onde ela se encontra é exatamente onde foi citado há pouco, a liderança do entretenimento, uma influência cada vez maior na cultura pop mundial assim como reconhecimento, apesar de certos estigmas ainda existirem, mas novamente, é uma mídia muito jovem. Mas para onde ela caminha? Quais as tendências do mercado e o possível futuro dele?

 

PLATAFORMAS

O que se deve compreender é que hoje em dia, o que se entende por “videogame” é algo bem mais amplo do que algumas décadas atrás. A concepção que se tinha quando alguém falava em videogames era um aparelho quadrado ou retangular que se colocava na estante ao lado da TV, cheio de fios e que muitos acreditavam estragar a televisão. Hoje, além dessas caixas retangulares que chamamos de consoles ainda venderem milhões de unidades por ano, também temos consoles portáteis, PCs, games para navegador, games mobile, e até mesmo jogos por streaming. Dessas plataformas citadas, jogos mobile estão cada vez mais populares, com um crescimento nos lucros de incríveis 46% em 2013. Muitos acreditam ser esse o futuro inevitável dos games, tendo em vista que o hardware dos smartphones e tablets está cada vez mais poderoso e capaz de renderizar jogos cada vez mais complexos, o Android, sistema operacional líder disparado no mundo, é bem receptivo para programadores, que também podem publicar suas criações na playstore com relativa facilidade, além da praticidade de aparelhos portáteis tornar a conveniência bem atrativa. Há inclusive a expectativa que celulares e tablets substituam consoles portáteis em um futuro não muito distante, tendo em vista o que foi citado há pouco, a capacidade de processamento de aparelhos medianos não demora muito para alcançar o melhor dos consoles portáteis.

E jogos mobile além de estarem mais e mais populares também estão mais e mais variados, as opções estão cada vez mais diversificadas. Temos jogos de tiro em primeira pessoa (FPS) de qualidade como as séries Dead Trigger e Modern Combat, rpgs renomados como a série Final Fantasy, jogos de corrida de primeiríssima qualidade como o recente Horizon Chase (jogo desenvolvido por brasileiros por sinal) além de jogos mais casuais e extremamente viciantes como a série Angry Birds. Apesar de aparentemente existir certo consenso entre gamers que jogos mobiles são apenas casuais, para passar uns minutinhos na espera do ônibus ou algo assim, desenvolvedores estão cada vez mais de olho nessa fatia do mercado. O desenvolvimento de uma quantidade maior de jogos mais complexos para celulares e tablets é uma possibilidade cada vez mais concreta, além de versões mobile de jogos já lançados em outras plataformas como as versões para Android e IOS da série Grand Theft Auto e a já citada série Final Fantasy.

Outra possibilidade para o futuro são os jogos por streaming. Assim como serviços de streaming de filmes e séries como Netflix e Crackle, já temos também streaming para jogos como o já extinto OnLive e a Playstation Now. Apesar de essa possibilidade ser extremamente plausível para o futuro, tendo em vista o sucesso deste tipo de serviço com filmes, séries e vídeos, a exigência por uma velocidade de internet um tanto quanto alta para a estabilidade do gameplay a torna inviável pelo menos para o futuro próximo, visto que a velocidade média de internet no Brasil atualmente é de 3.6Mb/s, o serviço se torna insustentável para a realidade do nosso país.

 

MÍDIA DIGITAL OU FÍSICA?

 

Uma tendência cada vez maior no mercado também se refere a como os consumidores adquirem seu produto. Você talvez se lembre, mesmo que nunca tenha tido o hábito de jogar videogames, da época das fitas, locadoras, de ver algum jogador assoprando uma fita antes de coloca-la no console. Pois é, a mídia evoluiu, das fitas fomos para o CD, depois o DVD, depois DVD de dupla camada, atualmente nos encontramos na era do Blu-ray. A complexidade dos jogos foi aumentando, e com isso a necessidade de espaço de armazenamento.

Passamos dos incríveis cartuchos de até 8KB do Magnavox Odyssey2, ou Philips Videopac G7000, como é conhecido aqui na terra verde e amarela, aos “modestos”, mas um pouco mais modernos 50GB dos Blu-rays de camada dupla. Porém, uma tendência cada vez mais forte ameaça o domínio das mídias físicas nos games: distribuição digital de jogos.

A partir da sétima geração de consoles (Playstation 3, Xbox 360 e Wii), os serviços de vendas de jogos via download estouraram de vez. A Steam nos PCs domina o mercado com folga, praticamente um monopólio diga-se de passagem, a ponto de mídia física no PC ser algo quase que inexistente hoje em dia. A PSN no Playstation, Live no Xbox e a Nintendo Store no Wii começaram tímidas, mas com o passar dos anos na geração, as vendas digitais foram crescendo, com um aumento de 34% em 2015. Apesar disso, mídia física ainda é a principal maneira de o consumidor adquirir jogos em consoles, mas é evidente a mudança no mercado e, se os números manterem esse ritmo, as vendas digitais eventualmente vão ultrapassar as físicas em alguns anos também nos consoles. Os motivos para essa mudança de hábito do consumidor são vários: Vendas digitais são mais convenientes, você compra com um cartão de crédito, transferência bancária ou cartões pré-pagos e faz o download direto no console ou PC, sem a necessidade de se locomover até uma loja. Os preços dos jogos digitais costumam ser mais baratos que os físicos, já que os custos de fabricação e distribuição são menores. As lojas digitais costumam fazer promoções frequentemente e os descontos chegam a ser ridículos de tão bons. Gasta-se espaço de armazenamento em HD mas economiza-se espaço físico.

Existem também pontos negativos para a distribuição digital. O suporte para os jogos não é eterno, e existe a possibilidade de jogos simplesmente desaparecerem. Um bom exemplo recente foi com o game Scott Pilgrim vs The World: The Game, um jogo de beat’em up (jogo de briga de rua como são conhecidos por aqui, onde o objetivo é simplesmente andar pra frente e bater em todo mundo que aparecer) publicado pela Ubisoft que recebeu boas críticas e recentemente desapareceu de todas as lojas digitais. O motivo foi a licença de direitos autorais ter expirado, fazendo o jogo ser removido das lojas, tornando assim o jogo impossível de ser comprado por quem ainda não o fez. Tendo em vista que HDs não são infinitos e que a remoção de jogos não utilizados é comum para economizar espaço, existe o risco de simplesmente se perder um jogo comprado para sempre caso não exista algum backup pessoal, já que os servidores que armazenam o arquivo podem, e provavelmente irão, eventualmente deixar de existir ou de dar suporte para jogos mais antigos que não vendem mais tanto quanto um dia vendiam. Sem contar é claro com os colecionadores, que sempre preferirão mídias físicas para montar uma bela e invejável sala cheia de jogos e consoles.

As tendências do mercado são muitas, e pode-se gastar uma quantidade de tempo insalubre discutindo acerca delas, mas uma coisa é certa: Videogames vendem cada vez mais, são influencias culturais cada vez maiores e fazem parte da vida de um numero de pessoas cada vez maior. Se fossemos julgar apenas pelos números, pode se chegar a conclusão de que videogames são o futuro do entretenimento, movimentando uma quantia de dinheiro cada vez maior. Mas como forma de arte, ainda não muito reconhecida por muitos talvez, videogames são fascinantes, reunindo música, narrativa e interatividade em um só pacote. Games complexos tecnologicamente, musicalmente, filosoficamente, com histórias cada vez mais bem elaboradas e contadas, contando com a influência direta de quem está sentado na frente do televisor, games que marcam a vida de quem os joga, que despertam emoções nos jogadores de uma maneira que nenhuma outra forma de entretenimento pode. Games podem sim ser arte, mas esse é um assunto pra outro artigo…